Chamada para Trabalhos - Dossiê Temático: História da historiografia contemporânea: crítica, escrita e historicidade

As últimas décadas têm observado um importante crescimento das investigações sobre a história da historiografia enquanto disciplina e área de conhecimento, seja em termos empíricos ou teórico-metodológicos. Este crescimento é perceptível na consolidação das associações e grupos de pesquisa, nas coletâneas de excertos comentados e na bibliografia voltada à tradução, difusão e análise de diferentes autores e correntes relacionadas ao pensamento histórico. Ao mesmo tempo, a produção acadêmica relacionada à história da historiografia tem se consolidado, fruto da crescente profissionalização dos historiadores brasileiros e do aumento quantitativo dos programas de pós-graduação em história, espaço de fomento das pesquisas e projetos relacionados. Nesse sentido, a Revista Escrita da História convoca o envio de trabalhos que analisem as experiências de escrita da história e história da historiografia contemporâneas (considerando os séculos XIX e XX como recorte), entendidas aqui como identificações críticas de uma determinada historicidade, ou seja, investigações acerca sentidos históricos perceptíveis e processos de transformação do tempo em tempo histórico em determinados contextos, uma espécie de analítica da historicidade conforme sugerida por Valdei Lopes de Araújo (2006). Desta forma, este leque se abre para contemplar o estudo de obras não especificamente historiográficas, mas que tiveram um papel importante para a história da historiografia, o que sugere também a possibilidade de temas e pesquisadores de outros campos das humanidades. Serão também considerados estudos sobre obras acerca da teoria da história que em alguma medida tratam da escrita da história, além de pesquisas sobre obras gerais de história relacionadas ao seu contexto, que busquem compreender seus aspectos formais, estilo de escrita ou ainda estudos comparados entre autores e escolas de pensamento. A proposta sugere um espaço de reflexão e crítica sobre a escrita da história enquanto experiência social do tempo, percebendo-a em um quadro geral em que a historiografia, no sentido sugerido por Charles O. Carbonell (1987) como “o melhor testemunho que podemos ter sobre as culturas desaparecidas”, tem contribuído não apenas para a formação de um campo de conhecimento histórico, mas também para a construção ou desconstrução das identidades coletivas e produção de um sentido contemporâneo de historicidade.