“A luz do Dalai Lama brilhará no Ocidente”: análise das aproximações feitas pelo 14° Dalai Lama com a ciência

Leonardo Henrique Luiz

Resumo


Com o exílio tibetano em 1959 o budismo daquela região enfrentou um complexo processo de aproximações com o Ocidente, no qual o Dalai Lama exerceu um papel de destaque, seja na publicação de livros, seja realizando palestras ou entrevistas. Sugerimos que uma das principais vias de criação do diálogo entre o Ocidente e o budismo tibetano foram as conexões que o Dalai Lama realizou com a ciência moderna. Considerando esse processo, o presente artigo visa examinar os livros “Uma Ética para o Novo Milênio” (2000b), “A Essência do Sutra do Coração” (2006a), “Transformando a Mente” (2000a), “O Sentido da Vida” (2001), “Liberdade no Exílio” (1992) e “El universo en un solo átomo” (2006b), publicados pelo Dalai Lama nos quais existe a tentativa de elaborar o diálogo com menção à ciência. Do ponto de vista teórico, utilizamos os conceitos elaborados pelo antropólogo Clifford Geertz (2008) que estabelece a definição da religião como um sistema simbólico formado por signos compartilhados. Segundo Geertz, tais signos variam historicamente e por isso os próprios sistemas simbólicos passam por transformações no tempo e espaço. É justamente esse grau de mudança, isto é, a abertura para se adaptar ao novo contexto de contato com o Ocidente que buscamos analisar no discurso do Dalai Lama.

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