Medos no mar, medos do mar: as representações do sentimento de medo nos relatos de viagens pelo atlântico entre os séculos XVI e XVII

Airton Felix Silva Souza

Resumo


Esse artigo tem por objetivo identificar, a partir dos relatos de viajantes, as representações do sentimento de medo nas viagens marítimas ocorridas no Atlântico nos séculos XVI e XVII. Neste trabalho, compreendemos o Oceano Atlântico enquanto “espaço histórico”, um elemento constitutivo e fundamental nos processos históricos e opondo-se à análise desse oceano como um cenário, um espaço meramente físico e desde sempre existente. A partir da análise foi possível identificar expressões, reações e representações do sentimento de medo e neste artigo lidaremos com duas delas: uma diz respeito ao discurso religioso presente nos relatos e outra refere-se aos motins e episódios de insubordinação que confrontam diretamente a estrutura hierárquica dentro da embarcação e que surgem enquanto reação ao medo. Para tanto, utilizamos o conceito de “mar punitivo” proposto pela mexicana Flor Trejo Rivera, que consiste na utilização por parte da Igreja Católica, do espaço marítimo e suas representações para “hacer presente la justicia divina, castigar el pecado y fomentar el arrepentimiento.” Essa concepção auxilia a compreensão de episódios de confissões coletivas, pedidos de misericórdia e a utilização de referências bíblicas, frequentes na maioria dos relatos analisados.  Para lidar com os episódios de amotinamento que se exprimem enquanto consequência do sentimento de medo da morte iminente, buscamos contextualizar socialmente o autor dos relatos a fim de compreender a perspectiva do olhar dirigido à tripulação, e como estes episódios são representados nos relatos de viajantes.


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