O estereótipo da loucura como instrumento de controle biopolítico sobre a mulher nos primeiros anos da república brasileira

Autores

Palavras-chave:

Mulher, Loucura, Histeria, Controle social, Biopolítica, República brasileira

Resumo

Por anos, a mulher foi subalternizada, sendo relegada a posição de coadjuvante no relato histórico. Este trabalho objetiva retirar da escuridão essas figuras que foram sistematicamente caladas, condicionadas ao papel único de mãe e esposa, ceifadas de sua individualidade e liberdade. Com a História da Mulher intrinsecamente relacionada à História da Histeria, propõe-se uma análise da loucura enquanto estereótipo do feminino; investigando, assim, sua intervenção psiquiátrica como instrumento de controle do corpo. Com enfoque na cidade do Rio de Janeiro e na modernização que advém da Primeira República, a intenção é abordar a medicalização da “anormalidade” e a disciplinarização dos corpos sob uma ótica falocêntrica, com o controle biopolítico tendo destaque ao responder de forma eficaz aos anseios do Estado - e do modo de produção capitalista - na tentativa de se criar corpos dóceis e domesticados. Fazendo-se valer de uma ampla pesquisa bibliográfica, o presente artigo ambiciona dar voz à essas mulheres que foram por tanto tempo silenciadas.

Biografia do Autor

Carolina Bessa Duarte

Graduanda em História pelo Centro Universitário LaSalle-RJ. Pesquisadora do Laboratório Universitário de Pesquisa sobre Práticas Ativas de Aprendizado (LUPPAA) e do Novas Fronteiras: Núcleo de Pesquisa em Migrações e Direitos Humanos.

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Publicado

11.04.2022

Como Citar

Bessa Duarte, C. (2022). O estereótipo da loucura como instrumento de controle biopolítico sobre a mulher nos primeiros anos da república brasileira. Escrita Da História, 1(15), 142–169. Recuperado de https://www.escritadahistoria.com/index.php/reh/article/view/238