As batalhas de Olavo Bilac na imprensa carioca: o folhetim Sanatorium como expressão do autoritarismo do governo de Floriano Peixoto

Autores

Palavras-chave:

Olavo Bilac, Imprensa, Literatura, República

Resumo

Este artigo tem como objetivo principal mostrar como a literatura foi fundamental nas batalhas por liberdade de expressão empreendidas pelo escritor Olavo Bilac durante a Primeira República, especificamente no ano de 1894. Impactado pelas medidas, impostas pelo presidente Floriano Peixoto, que tentaram cercear a atividade jornalística, Bilac, através de crônicas e folhetins, defendeu a liberdade de expressão e pensamento em seus escritos para a Gazeta de Notícias. Entre os anos de 1892 e 1894, Olavo Bilac foi preso algumas vezes e precisou se autoexilar, em Ouro Preto e posteriormente em Juiz de Fora, devido à oposição que fazia ao governo florianista. Sendo assim, através do folhetim Sanatorium, publicado na Gazeta de Notícias, sob o pseudônimo coletivo de Jayme de Athayde, em parceria com autor Magalhães de Azeredo, buscou-se compreender a atuação de Olavo Bilac na imprensa e sua oposição à censura empreendida pelo Marechal Floriano Peixoto enquanto ocupou a presidência da República.

Biografia do Autor

Mirella Ribeiro Pinto

Mestra em História Cultural pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia. Professora de História na Escola Estadual Padre Henrique Peeters.

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Publicado

11.04.2022

Como Citar

Pinto, M. R. (2022). As batalhas de Olavo Bilac na imprensa carioca: o folhetim Sanatorium como expressão do autoritarismo do governo de Floriano Peixoto. Escrita Da História, 1(15), 194–215. Recuperado de https://www.escritadahistoria.com/index.php/reh/article/view/255