Política nas páginas de um romance: realismo e bonapartismo em O Conde de Monte Cristo, (1844) de Alexandre Dumas

Autores

  • Mateus Ribeiro de Sant'Ana Universidade Federal de Uberlândia

Palavras-chave:

Literatura, Romance-histórico, Bonapartismo, Realismo

Resumo

O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, é um típico romance-folhetim, repleto de reviravoltas, aventuras, narrativas paralelas e repetições. Alcançando enorme sucesso no momento da sua publicação, em 1844, o romance é repleto também de história. Iniciando sua narrativa em 1815 e levando até a contemporaneidade de sua publicação, o romance passa por importantes momentos da história francesa, como a restauração Bourbon e o império de Napoleão Bonaparte. Esses cenários históricos ultrapassam o limite de meras figurações e tornam-se extremamente importantes para a formação e desenvolvimento dos personagens, que estão diretamente ligados com o período histórico que o autor intenta retratar. A partir da leitura do romance, esse artigo busca identificar as posições tomadas pelo autor sobre os temas que descreve no romance, como o conflito entre bonapartismo e realismo e a atividade militar francesa na Itália, considerando que o romance-histórico pode compartilhar com o historiador a mesma fonte, criando por sua vez sua própria narrativa a respeito dos acontecimentos do passado.

Biografia do Autor

Mateus Ribeiro de Sant'Ana, Universidade Federal de Uberlândia

Mestrando em História pela Universidade Federal de Uberlândia.

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Publicado

11.04.2022

Como Citar

de Sant’Ana, M. R. (2022). Política nas páginas de um romance: realismo e bonapartismo em O Conde de Monte Cristo, (1844) de Alexandre Dumas. Escrita Da História, 1(15), 107–126. Recuperado de https://www.escritadahistoria.com/index.php/reh/article/view/280

Edição

Seção

Dossiê: História e Linguagens: História. Ficção. Literatura