Que fazer com todos estes tempos? Unidade, multiplicidade e orientação temporal na História

 

  • Ingrid MirandaMestranda pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Goiás (UFG).

RESUMO

O presente artigo aborda o problema da multiplicidade temporal, buscando apontar como a mesma é normalmente experimentada na vida humana prática e na pesquisa histórica. Ao mesmo tempo, apresenta os mecanismos responsáveis por, historicamente, camuflar, rejeitar, negar essa multiplicidade. No campo disciplinar da História, foi essa negação a responsável por tornar possível um discurso científico sobre o passado humano, a partir da estabilidade cognitiva de um tempo supostamente uno, homogêneo, mensurável. A presente reflexão direciona-se a dois temas complementares: de um lado, o discurso dos historiadores; de outro, a orientação humana no tempo. Em ambos, todavia, os paradoxos e desafios inerentes à compreensão da multiplicidade temporal.

BIOGRAFIA DO AUTOR

Ingrid Miranda, Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Graduada em História - Licenciatura pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Goiás (UFG). Bolsista CAPES. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Raquel Machado de Campos.

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